Claude Monet: Vida e Obra do pintor Impressionista.

Você já ouviu falar em Claude Monet? Esse artista, que foi um grande pintor do estilo impressionista está eternizado através de suas obras. Confira abaixo sua vida e obra escrita pela equipe do Arte DIY.

O impressionismo foi um estilo de pintura que rejeitava totalmente o estilo clássico, principalmente após o surgimento da fotografia, que desempenhava o mesmo papel dos quadros da época.

Dessa forma, pintores de diversas cidades francesas, principalmente, se encantaram com a captação da luz e pintaram quadros chamados de impressionistas em zombaria às memórias retratadas em tela.

Monet foi um protagonista do movimento e, pensando nisso, pesquisamos bastante sobre o autor e redigimos um artigo completo sobre sua vida e obra.

Biografia do Artista

foto de claude monet

Oscar Claude-Monet nasceu em Paris, no ano de 1840. Sua família mudou-se da cidade de nascimento do pintor para a cidade de Le Havre onde Monet recebeu uma educação burguesa comum para essas famílias na época.

Ainda quando criança, frequentou o Lirceu, onde teve aulas de desenho com Francois Charles Ochard. Essa fase foi decisiva para o despertar de Monet como um artista conhecido pelo uso de cores fortes em suas obras.

Oscar Claude-Monet ganhou algum dinheiro fazendo caricaturas quando ainda jovem e usou esse ganho para viajar à Paris em 1859, quando conheceu o primeiro saloon de artes.

Em 1861, teve uma pausa em sua carreira como artista, pois, precisou prestar serviço militar obrigatório. Entretanto, pouco mais de um ano depois, retorna à França para se curar de uma doença.

Ao retornar, retoma seus interesses artísticos se inscrevendo em uma escola de pintura para ser aluno de um professor independente e é então que conhece grandes artistas que viriam a se tornar seus amigos e também inspirações no meio artístico.

Um desse artistas é o pintor francês Renoir, conhecido por pintar a obra O Almoço dos Barqueiros.

Estilo de Pintura: a captação da luz no Plein Air

foto de obra de monet
Claude Monet, Public domain, via Wikimedia Commons

Monet inicia praticando muito a pintura ao ar livre, também conhecida como Plein Air, estilo de pintura que ganhou força nessa época, mas, teve sua prática iniciada no século anterior.

O estilo Plein Air tinha como foco a captação da luz que mudava durante o dia, esse seria o princípio do estilo de pintura que surgiria a seguir: o impressionismo.

Em sua pintura, é possível encontrar obras em panorama diversificado e rico com paisagens campestres, cenas litorâneas onde é possível notar marinheiros trabalhando e barcos que velejavam no momento em que pintou.

Rejeição como Pintor Impressionista

Monet foi considerado por muito tempo o bode expiatório dos impressionistas, já que, por muito tempo, teve seus quadros rejeitados pelo saloon.

Inicialmente, os impressionistas eram rejeitados devido ao novo estilo de pintura ser visto como um borrão e fugir totalmente do padrão das obras realistas da época.

Dessa forma, o saloon dificilmente aceitava obras nesse estilo e frequentemente rejeitava os artistas que pintavam em decorrência da captação da luz momentânea.

Finalmente, em 1866, Monet teve um de seus quadros aceito. O quadro intitulado “Mulher de Robbie verde” ou “Camille”, que era o nome de sua namorada. Um quadro pintado em apenas 4 dias.

A crítica da vanguarda elogiou bastante a obra, entretanto a crítica tradicional não gostou do quadro e distribuiu defeitos à pintura.

Entre todas as críticas, a de Émile Zola foi a mais significativa que, descreveu a obra de Monet como salvadora dos corredores sem vida do saloon. Disse ainda, que sentiu como se o pintor fosse seu grande amigo e que seu olhar ficou atento por muito tempo ao quadro “Camille”.

Monet também pintou “Mulheres no Jardim” quase que inteiramente ao ar livre durante abril de 1866 e os primeiros meses de 1867. Quando seu quadro foi rejeitado pelo saloon, o pintor caiu em grande desilusão.

Esse foi uma de suas obras mais importantes para ele. Sabe-se disso graças às cartas que ele trocava com seus amigos, esse tipo de comunicação era muito comum na época.

Rejeição ao tradicionalismo

foto de obra de monet
Claude Monet, Public domain, via Wikimedia Commons

Em 1867, Monet decide pintar a vista para três lugares importantes em Paris. Foram eles a Estação do Louvre, Sain-Germain-l’ Auxerrois e Jardim do Infante.

Esse trio de locais foram escolhidos com o intuito de retratar a cidade moderna, mostrando claramente a sua aversão à arte tradicional.

Foi uma espécie de protesto à arte destinada apenas ao público urbano e burguês, ainda que tenha sido educado nesse contexto e tido a educação destinada à burguesia.

Sua pintura relembrou que esse mesmo público passou a frequentar outros ambientes ainda que ignorados reafirmando que a arte tinha ganhado uma nova concepção.

Estadia na Normandia: pinturas inovadoras

Em Júlio de 1867, Monet se mudou para a Normandia. Suas pinturas desse período trazem diversas inovações para o seu estilo.

Uma dessas inovações é a insistência da bidimensionalidade da superfície pictórica e outra foi a composição baseada na alternância das áreas de cor sempre com pinceladas sensíveis aos cenários luminosos.

No ano de 1868, Monet envia ao saloon duas pinturas realizadas em sua estadia na Normandia. Foram elas “Navio que sai do cais de Havre” e Cais de havre, sendo a segunda aceita e a primeira, recusada.

Nesse ano, diversos autores impressionistas tiveram seus quadros aceitos pela academia. Foi um ano significativo para os impressionistas, pois, pela primeira vez, houve uma presença significativa de pintores modernos.

A espontaneidade do olhar a ausência de formalismo contrasta em dois quadros principais pintados por Monet: Retrato de Madame Gouldberg e o Desjejum, sendo o último uma retratação de uma família abastada e burguesa em sua tranquilidade cotidiana, enquanto o primeiro foi encomendado.

Nessa época, Monet estava muito endividado e recebia visitas frequentes de seus credores. Sua situação matrimonial era totalmente irregular, seu casamento com Camille ocorreu somente em 1870.

Retorno à Paris

pontura de monet quando jovem
Claude Monet, Public domain, via Wikimedia Commons

Em 1869, um ano antes de seu casamento com Camille, Monet retornou à Paris para entender melhor o que estava acontecendo na capital francesa.

Ainda nessa época, foi o único modernista a ser excluído do salão. O Salão era o evento onde os artistas conseguiam expor suas obras e Monet tentava uma vaga todos os anos.

Iniciou a sua busca pelo quadro que deveria ser inscrito no ano seguinte.

Outra versão do quadro Grenoillére é enviado. Esse quadro foi pintado ao lado de seu amigo Renoir que trabalhava com o mesmo tema. A obra retratava um local onde os parisienses iam para se divertir, no entanto, foi rejeitado.

No ano seguinte, seu quadro Ponte em Bougival que, demonstra a intensidade crescente na sua forma de retratar a luz e na sua relação com a pintura.

Após mais uma rejeição, Monet decide não encaminhar mais suas obras para serem expostas no evento anual. Retornando somente ao final de sua vida quando um de seus quadros é aceito.

A exposição de seus quadros ocorria no Salão dos Recusados, local onde os impressionistas divulgavam e vendiam suas obras.

Nova fase: Monet casa com Camille

Após seu casamento com Camille, Monet se muda novamente para um local que estava em alta na época, além da companhia de sua esposa, seu filho também os acompanha.

Nessa época, suas obras se dão principalmente ao ar livre e tem a inspiração principal na fotografia. Essa adição em seu estilo reforça seu caráter inovador e despreocupado.

Após o fim da guerra franco-prussiana, uma tensão se instalou na França, já que todos os jovens saudáveis, como Monet, arriscavam serem recrutados novamente.

Para fugir dessa obrigatoriedade, assim como outros homens franceses, Monet decide se mudar para Londres no período entre outubro e novembro de 1870.

Lá reencontra velhos conhecidos e faz novas amizades, entre elas um senhor que teria papel importante na divulgação das obras impressionistas.

Nos meses iniciais, Monet retrata principalmente as paisagens próximas do Rio Tamsa e dos parques da cidade. Essa fase se estende até o final de maio do próximo ano, quando ele decide se mudar com sua família para a Holanda.

Sua estadia durou apenas 6 meses, quando pintou algumas obras de fácil comercialização.

O Segundo Retorno: Monet volta à Paris

pintura de obra de monet
Claude Monet, Public domain, via Wikimedia Commons

Entre 1874 e 1876, os impressionistas realizam 8 exposições independentes. Essa é melhor época para que pesquisadores e apreciadores explorem toda a particularidade das pinturas de Monet.

Monet ainda se via em uma sociedade que marginalizava e rejeitava as pinturas modernas, ainda que em uma diferente forma de governo.

O artista foi um dos nomes importantes para a contribuição de melhores olhares para as obras impressionistas.

A estratégia usada era alugar espaços para suas exposições a partir de colaborações financeiras dos próprios pintores que colocariam suas obras à mostra e, muitas vezes, os apreciadores pagavam um valor simbólico para entrar, olhar e comprar as pinturas.

Esses espaços eram mais livres que os organizados pela coroa que, exigia processo seletivo e análise de obras que seriam expostas. Amostras regularizadas pelo Estado.

A derrota da França na Guerra Franco-prussiana gerou uma mudança no regime político francês e não muito tempo depois, o país enfrentava a Comuna de Paris que gerou graves consequências à cidade.

Esses impactos foram sentidos pelos artistas que, muitas vezes precisavam pausar sua carreira para prestar serviço militar ou precisavam fugir da França para não serem recrutados ou presos.

Em 1876 em mais uma exposição organizada por Paul Durant-Ruel que era uma espécie de entusiasta para as obras impressionistas. Ruel tinha como objetivo arrecadar fundos para ajudar os pintores modernos.

Essas exposições facilitavam a exposição dos impressionistas e, também facilitava a compra de obras pelos apreciadores da arte moderna.

A segunda amostra desperta mais o interesse dos críticos ao contrário da primeira que, foi zombada e não foi levada a sério.

Obviamente, ainda houve críticas negativas, sempre comparando as obras modernas com as arte clássica, entretanto, há uma mudança na concepção quando se percebe uma consideração maior nas obras impressionistas.

Nessa exposição, 18 obras eram de Monet em pinturas, em sua maioria, resultado de seus últimos quatro anos de trabalho que retratavam sua vivência nesse período.

Uma outra fase na pintura de Monet

A partir de 1877, seus temas, que estavam muito ligados ao cotidiano de metrópoles, começa a mudar para uma abordagem sobre o campo, sociedades rurais, litoral Normando e paisagens.

Sua ênfase se volta para a paisagem e os personagens ficam em segundo plano, ao contrário de quando começou a pintar no estilo impressionista priorizando a captação da luz.

Além disso, é totalmente distante da pintura clássica que, usa a paisagem como plano de fundo e composição das obras.

Dúvidas sobre suas obras e carreira

pintura de monet
Claude Monet, Domínio público, via Wikimedia Commons

Monet tinha dúvidas sobre a permanência no grupo dos impressionistas e, em 1980 ele assina sua carta de demissão quando ele envia apenas duas obras ao salão oficial quebrando a regra principal do grupo modernista.

Por isso, pintores como Manet, apesar de impressionista, não expunha com os artistas de mesma linha de pintura, pois, continuava enviando suas obras para o Salão oficial ainda que recusadas.

Os dois quadros encaminhados por Monet foram O Sena em Lavancourt e Os Gelos, quando apenas um foi aceito.

Vida Pessoal nesse contexto de mudança

Monet vivia em uma casa dividida com um de seus amigos e sua família. Após a morte de Camille, nasce uma história de amor entre o artista e a esposa de seu amigo que dividia a residência.

Alice, futuramente, se tornaria sua companheira e os dois se casariam em 1892 após a morte do marido e amigo de Monet que ocorreu no ano anterior.

Monet retornou ao clube dos impressionistas para expor algumas de suas obras, retornando na sétima exposição após se ausentar da quinta e da sexta.

O artista ganhou grande notoriedade em decorrência de 3 de seus quadros enviados retratarem paisagens.

As críticas foram muito superficiais, entretanto, um caso chamou  a atenção dos leitores: a leitura de obras de Ernest Chesneau que, insiste na questão da memória da pintura impressionista.

Chesneau diz que, ao contrário do que muitos pensam, a pintura impressionista não consiste em copiar o ambiente visualizado e sim na reprodução da memória que o pintor tem do local que foi observado.

Um exemplo disso é que muitos quadros eram iniciados não ar livre e finalizados em estúdio, portanto, retratava a impressão que o artista tinha sobre sua memória.

A memória, como algo muito pessoal, nos informa sobre a amplitude que se tem de várias obras retratando um mesmo ambiente, por exemplo. Eram muitos artistas e cada um expressando nas telas sua individualidade.

As pinturas eram lembranças e entendimento de cada artista sobre cada paisagem observada.

Anos finais: Monet adoece gravemente

foto de homem pintando
Foto Original do Arte DIY

No início de 1926 Monet se encontra doente com os pulmões minados em decorrência de um câncer incurável.

Sua ocupação principal era o manejo do jardim tanto presencialmente quanto o retratando em suas obras. Monet chega a contratar jardineiros como auxiliares.

Seus anos finais consistiram na pintura de quadros e visita de alguns amigos em sua casa.

Em 5 de dezembro do mesmo ano, após sentir uma agonia no peito, Monet falece em sua casa.

A morte de Monet e o fim de uma era

Para muitos estudiosos, a morte de Monet representa o desaparecimento do último protagonista do impressionismo.

O artista que construiu o princípio da pintura ao ar livre e seu falecimento representa o fim de uma era de inovações vindas dos artistas que iniciaram o movimento modernista de pintura.

Assim, o impressionismo, seus protagonistas e obras pintadas por esses se tornou uma herança que o tempo tornou mais rica aos olhares mais carinhosos e especialistas.

Sendo assim a maior contribuição de um artista do século XX.

Algumas Obras de Monet

  • Impressão, nascer do sol;
  • Mulher com sombrinha;
  • Camille;
  • Lírios de água;
  • A Lagoa de Lírios d’água;
  • Jardim em Sainte-Adresse
  • A Praia de Sainte-Adresse
  • Campo de Papoulas;
  • Praia de Pourville;
  • Almoço na Relva;

Algumas Frases de Monet

foto original arte diy de homem pintando
Imagem Original Arte DIY inspirada em pintura de Monet.

A ARTE é um LUXO, não porque precise necessariamente de “Riquezas” para ser executada… ela é um LUXO porque precisa de MÃOS… descansadas!

Claude Monet

Todos os dias eu descubro mais e mais coisas bonitas. É o suficiente para enlouquecer. Eu tenho tal desejo para fazer tudo, minha cabeça está estourando com ele.

Claude Monet

As pessoas discutem minha arte e fingem entender como se fosse necessário entender, quando é simplesmente necessário amar.

Claude Monet

A cor é a minha obsessão diária, a alegria e o tormento.

Claude Monet

“A luz constantemente muda, e que altera a atmosfera e a beleza das coisas a cada minuto.”

Claude Monet

“para mim, uma paisagem não existe por si só, já que sua aparência muda em Qualquer momento.”

Claude Monet

“Tudo que eu fiz foi olhar para o que o universo me mostrou, para deixar meu pincel testemunhar.”

Claude Monet

“Tudo muda, mesmo pedra.”

Claude Monet

“para mim, uma paisagem não existe por si só, já que sua aparência muda a cada momento; Mas a atmosfera circundante traz para a vida – a luz e o ar que variam continuamente. Para mim, é apenas a atmosfera circundante que dá assuntos seu verdadeiro valor.”

Claude Monet

Curiosidades

  • Dois dos quadros de Monet estão expostos no Brasil no Museu do Masp: A Ponte Japonesa sob Lagoa das Ninfeias de Giverny e A Canoa sobre o Epto;
  • Monet foi o segundo filho de seus pais;
  • Após o falecimento de sua mãe, Monet e o irmão ficaram sob os cuidados de sua tia;
  • A família de Monet se dispôs a pagar a taxa de dispensa do serviço militar caso o pintor desistisse da vida de artista;
  • Ao retornar da Argélia com febre tifóide, sua tia paga a taxa de dispensa do exército;
  • A esposa de Monet faleceu aos 32 anos em decorrência de um câncer de útero e, após esse acontecimento, o pintor quase não pinta mais personagens;
  • Manet passou por uma terrível crise financeira e sua família não queria que sua esposa Camile morasse com eles.
  • Monet volta a enviar quadros para o Salão em decorrência de outra crise financeira, porém, sua obra é exposta a 6 metros do chão e passa despercebida.

Imagens Autorais ARTE DIY Inspiradas no Impressionismo

imagem original de cidade grande
foto original cidade vista de um lago
foto de homem observando prédios em uma cidade
foto de mulher em uma cidade antiga

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