Uma análise sobre o Caminhante Sobre o Mar de Névoa

O quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa foi pintado em 1918 pelo pintor, gravurista, desenhista e escultor alemão Caspar David Friedrich, do período do Romantismo na Alemanha, e é a obra mais famosa do artista.

O quadro é conhecido por alguns como “viajante sobre o mar de névoa” ou simplesmente “o viajante”.

É claro que a princípio, o que nos chama a atenção no quadro é a sua beleza. É isso que primeiramente atrai os nossos olhares e prende nossa atenção, a final a beleza e a graciosidade contida na pintura é sem dúvida indiscutível.

Mas você já ouviu falar sobre todo o simbolismo de Caminhante Sobre o Mar de Névoa e todo o conceito que o cerca em relação a sua composição, o período da arte ao qual ele pertence, e a proposta do romantismo sublime?

Então leia até o final esse artigo que nós aqui do Arte DiY preparamos para explicar tudo que você precisa saber.

Pintura de um homem de costas no topo de uma alta montanha, de frente para o horizonte coberto por névoa branca.
Caminhante sobre o mar de névoa – Caspar David Friedrich (1918)

Caminhante Sobre o Mar de Névoa

A pintura retrata uma figura solitária no topo de uma montanha, que parece contemplar a vastidão do horizonte.

Esse “mar de névoa” densa que nos impede der ver o que há lá embaixo entre as montanhas, nos causa uma sensação de mistério e solidão perante a imensidão colocada à nossa frente.

VEJA TAMBÉM: Vida, obra e história do pintor Claudio Tozzi – Guia completo

Analisando a obra

Para entendermos um pouco melhor sobre o Caminhante Sobre o Mar de Névoa, precisamos entender o que exatamente significa o sublime.

O que é o sublime?

Esse conceito se trata basicamente da expressão de um grande e nobre sentimento que leva o expectador (no caso nós) ao êxtase através da contemplação da obra em questão.

O registro mais antigo que se tem conhecimento de onde o conceito foi citado e onde acredita-se que ele então surgiu, foi no livro On the Sublime, uma obra originalmente grega datada do século I d.C. Seu autor é desconhecido, mas sempre é referido como Longinus ou Pseudo-Longinus.

No século XVIII, que é um século onde se retrata bastante os viajantes e curiosos, período em que as pessoas viajavam muito em expedições e exploravam bastante as paisagens diferentes, locais diferentes e diferentes culturas, é justamente o momento em que a obra Caminhante Sobre o Mar de Névoa está inserido.

O sublime então se associa à contemplação da natureza, paisagens inóspitas ou desoladas, que por sua vez despertam diferentes sentimentos nos espectadores. Ele então nos apresenta toda a grandeza do mundo a nossa volta e como nós enquanto seres humanos somos pequeno diante disso. Chega a despertar em certos momentos a sensação de fascínio, mistério, inquietação, melancolia, e até dor e medo.

É como pensar na natureza como algo esplendoroso e belo que também pode ser perigoso e destruidor, diante de nós, pequenos em relação a essa magnitude da natureza.

Dessa forma, todo esse conceito do sublime encaixa muito bem na atmosfera do romantismo, que foi o momento em que se retratou-se muito as paixões e a melancolia na arte e na literatura.

Portanto, é comum encontrarmos constantemente nas obras de Caspar David Friedrich, grandes paisagens sozinhas ou grandes paisagens com figuras humanas retratadas em tamanhos pequenos, justamente para nos mostrar a pequenez do ser humano diante da grande imponência da natureza.

Logo, para explicar a arte romântica de Friedrich, é necessário compreender mais ou menos esse conceito do sublime.

VEJA TAMBÉM: Os Lírios de Vincent Van Gogh

Por que Caminhante Sobre o Mar de Névoa é diferente das outras obras de Friedrich?

O quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa se destaca entre os outros de Friedrich por ter uma composição diferenciada, tanto na posição da figura humana como centro da pintura, quanto na retratação do sublime perante ele, que nos proporciona uma experiência imersiva enquanto espectadores.

Aqui na obra Caminhante Sobre o Mar de Névoa, o pintor Caspar Friedrich escolheu representar essa composição de uma maneira diferente do que ele costumava fazer tipicamente.

Como foi dito anterior mente, ele costumava colocar apenas a paisagem, ou a paisagem com seres humanos representados como pequenos em relação à paisagem e vistos de longe. Já nessa obra, ele coloca a figura humana como centro da composição, o que não era algo típico de seus trabalhos anteriores.

Além disso, o quadro foi pintado na vertical. Isso também é uma característica que o diferencia, pois quase todos os outros quadros de Friedrich foram pintados na horizontal.

Ainda falando sobre o sublime, de acordo com Thomas Burnet, no escrito Telluris Theoria Sacra, existe todo um conceito que posiciona a experiência junto as montanhas como uma maneira de elevação da alma junto a Deus.

E na obra podemos observar como esse recurso de colocar o personagem retratado no topo da montanha e de costas para nós que a observamos, e colocá-lo como centro da composição, influencia nossa visão como espectador.

Qualquer um de nós podemos nos colocar no lugar dele, justamente por não podermos ver o seu rosto. É como se nós entrássemos na pintura através desse homem de costas.

Mas, ao mesmo tempo, nós podemos nos questionar qual seria a expressão no rosto dele, gerando uma curiosidade no espectador, pois poderia ser uma expressão serena que contempla a beleza, assim como poderia ser uma expressão de medo diante da imensidão.

No final, acontece conosco justamente aquilo que provavelmente estaria acontecendo com o personagem, que é a contemplação da paisagem no início e se perder nos próprios pensamentos gradualmente durante a observação.

Toda essa combinação do sublime, a grandeza da natureza perante a insignificância do ser humano e a melancolia que as obras românticas trazem, casam muito bem no fim das contas.

E essa névoa branca e densa traz para quem observa a pintura, ainda mais o sentimento de mistério e curiosidade, justamente por não sabemos onde o personagem está.

Esse conjunto de características provavelmente é oque fascina e causa essa identificação de todos com o personagem, desde o século XIX, época em que o quadro foi exibido pela primeira vez, até hoje.

VEJA TAMBÉM: Banhistas de Paul Cézzane: Sobre a Obra, Arte, Autor e Curiosidades

duvidas comuns

Dúvidas frequentes:

Quem foi Caspar David Friedrich?

Caspar David Friedrich foi um pintor alemão do período do Romantismo, nascido na cidade de Greifswald em 1774. Ele é considerado um dos artistas mais influentes da Alemanha e da Europa do século XIX, tendo exercido uma profunda influência sobre a arte europeia posterior. Friedrich pintou paisagens urbanas e rurais, bem como cenas religiosas e mitológicas. Sua obra-prima é o quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa, pintado em 1818.

O que representa o quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa?

O quadro representa um homem caminhando sobre um mar de névoa, com uma paisagem montanhosa ao fundo. A figura do homem é pequena em relação à vastidão do mar e das montanhas, sugerindo a insignificância do ser humano diante da natureza. O quadro é considerado um dos exemplos mais representativos da filosofia romântica, que exaltava a natureza como um lugar onde o homem poderia encontrar a verdadeira essência de si mesmo.

Qual foi a inspiração para o quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa?

Friedrich foi fortemente influenciado pelas obras dos pintores paisagistas ingleses, em particular pelas obras de J. M. W. Turner. O tema do homem diante da natureza também era bastante popular na literatura romântica da época, em autores como William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge. Friedrich também tinha uma profunda admiração pela natureza e passava muito tempo caminhando nas montanhas próximas de sua casa, na cidade de Dresden. Sua experiência pessoal com a natureza foi uma das principais inspirações para este quadro.

O que significam as cores utilizadas no quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa?

As cores utilizadas no quadro são principalmente tons de azul e branco, sugerindo a imensidão do mar e das nuvens. As cores também são utilizadas para transmitir a sensação de tranquilidade e paz que o homem experimenta ao caminhar sobre o mar de névoa.

Qual é a simbologia presente no quadro Caminhante Sobre o Mar de Névoa?

A presença do homem diante da imensidão da natureza é uma das principais formas de simbolismo utilizadas por Friedrich neste quadro. A figura do homem é pequena em relação à paisagem, sugerindo sua insignificância perante a grandeza da natureza. Outro elemento simbólico presente no quadro é a rocha no centro da composição, que representa a solidão do ser humano diante da imensidão do mundo natural.

Quando e onde Caspar David Friedrich nasceu?

Friedrich Nasceu em 5 de setembro de 1774, em Greifswald, na Alemanha.

Quando e onde Caspar David Friedrich morreu?

Friedrich morreu em 7 de maio de 1840, em Dresde, na Alemanha.

Quais são as principais obras de Caspar David Friedrich?

  • Caminhante sobre o mar de névoa
  • Monge à Beira-mar
  • O Mar de Gelo
  • Abadia no Carvalhal
  • Nascer da Lua Sobre o Mar

A verdadeira intenção da obra:

De acordo com Johannes Grave, essa não seria a intensão inicial de Caspar David Friedrich com Caminhante Sobre o Mar de Névoa. Ele não pensava necessariamente que o personagem retratado dessa maneira faria com que o espectador tivesse uma experiência imersiva na obra e de identificação com o personagem, mesmo sendo exatamente isso que aconteceu desde o seu lançamento.

Ele diz que a verdadeira intenção de Friedrich era fazer uma reflexão sobre o sentido da visão.

Mais sobre a arte de Caspar David Friedrich:

E então, o que achou do artigo? Já conhecia o trabalho de Friedrich?

Leave a Comment